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O Mundo das Abelhas

O mundo das abelhas surge da congregação da vontade de um pequeno grupo de amigos, em resposta a uma lacuna na defesa ambiental – a defesa, promoção e sensibilização da população para a importância dos polinizadores.

Claro, que quando este pequeno grupo cresceu, tornou-se inevitável materializar aquilo que foi uma mera ideia, num projecto e a seu tempo com o aumento de visibilidade e por outras exigências, acabamos por ter de o formalizar numa associação sem fins lucrativos.

 

Como surgiu a ideia de criar o projecto “O Mundo das Abelhas”?

O mundo das abelhas surge da congregação da vontade de um pequeno grupo de amigos, em resposta a uma lacuna na defesa ambiental – a defesa, promoção e sensibilização da população para a importância dos polinizadores.

Claro, que quando este pequeno grupo cresceu, tornou-se inevitável materializar aquilo que foi uma mera ideia, num projecto e a seu tempo com o aumento de visibilidade e por outras exigências, acabamos por ter de o formalizar numa associação sem fins lucrativos.

Num período em que cada vez mais pessoas desperta para a importância do respeito dos valores de “vida” consideramos muito importante trazer para a ordem do dia, a questão da polinização.

Pois é este processo, que sustenta a base de equilíbrio dos ecossistemas. Dele depende o meio que nos rodeia e a nossa alimentação.

Claro que é difícil para muita gente reconhecer a importância de um mero insecto (por exemplo), mas o desaparecimento deste criaria graves problemas de soberania alimentar, desequilíbrio e consequente colapso dos ecossistemas.

A forma mais simples de o demonstrar, é explicar que dois terços da nossa alimentação dependem directa e indirectamente dos polinizadores, deste grupo, depende a nossa alimentação e de muitos dos animais que fazem parte das nossas opções alimentares.

Claro que o desaparecimento dos polinizadores não implica o fim da humanidade, nem muito menos o fim do mundo, mas que teríamos elevadíssimas quebras de produção, com consequente inflacionamento dos produtos, com graves tumultos sociais e guerras consequentes desse drama, teríamos.

 

 

As abelhas são importantes para o ecossistema?

Abelhas e restantes polinizadores… pois existem varias outros animais responsáveis pela polinização, como escaravelhos, besouros, vespas (que possuem uma parte do seu ciclo de vida que depende totalmente do néctar das plantas) e até uma espécie de lagartixa que existe na Madeira… no resto do mundo existem aves como o beija flor e mamíferos como o morcego que realizam também a polinização quando se alimentam do néctar das flores.

mas voltando a este grupo, a par dos decompositores, fungos e plantas, os polinizadores são a base que mantém o equilíbrio dos ecossistemas.

São os polinizadores que garantem a biodiversidade das plantas e foi este tipo de processo (de fecundação cruzada) que permitiu a evolução e a variação genética que gerou a grande maioria das plantas que hoje em dia conhecemos.

Sendo esta uma relação simbiótica, em que todas as partes ganharam.

Com o desaparecimento dos polinizadores, haveria perda de diversidade da flora, e considerando que muitas das plantas dependem totalmente da polinização biótica (realizada por animais) e que muitos dos animais dependem de uma única espécie de planta… é fácil entender que o desaparecimento de um polinizador especifico pode implicar o desaparecimento de uma determinada planta e que consequentemente todos os animais que dependem dessa planta também ficariam comprometidos, o que por sua vez iria comprometer outras plantas que dependem da alimentação desses animais; é uma bola de neve exponencialmente perigosa que rapidamente pode acabar numa avalanche.

 

Como podemos ajudar as abelhas?

Existem muitas formas de ajudar todos os polinizadores, podendo até começar no nosso prato, ou na hora de irmos às compras. Curioso não é?… Mas se tivermos o cuidado de optar por alimentos de origem biológica, temos a certeza que não foram usados pesticidas na sua produção, pois são este pesticidas que colocam em causa a vida dos nossos polinizadores, é uma forma de todos ajudarmos enquanto consumidores, alterando as nossas opções de compra.
Ganha o ambiente e ganha a nossa saúde.

Depois para quem tiver Hortas ou quintal, seria genial que deixasse uma pequena área sem qualquer intervenção, onde a natureza se desenvolva por si só, sem qualquer interferência nossa. Normalmente são estes sítios que permitem as flores silvestres viver e onde muitos dos nossos polinizadores irão procurar abrigo no inverno ou local para colocar a sua postura no final do verão.

Se quisermos ter uma abordagem mais activa, podemos plantar e manter um pequeno jardim de aromáticas e de plantas ornamentais melíferas.

Todas as nossas plantas aromáticas são excepcionais para os nossos polinizadores (Alecrim, Lavanda, Alfazema, Oregão, Hortelã, Tomilho, Sálvia, Coentros, Funcho, Segurelha, Erva-cidreira…)

E várias plantas de jardim também serão benéficas (Calêndula, Glicínia, Luzerna, Facélia, Malmequer, Girassol, Gerânios, Zinias, Campânulas, Melilotos, Papoilas, Cistus, Centáurea, Borragem…)

Da mesma forma todas as nossas árvores de fruto são excelentes fonte de alimento para os polinizadores, desde que não se usem pesticidas, insecticidas ou fungicidas no seu tratamento.

Como vêm, existem muitas espécies de plantas de interesse polínico, mas o importante, seria escolher uma combinação de espécies que garanta uma florada contínua ao longo do ano, com principal preocupação na incidência de florada no período de verão, pois é o período critico onde menos flores existem, para que nunca falte comida aos nossos polinizadores.

Por outro lado, uma das principais entidades que usa abusivamente de pesticidas (neste caso herbicidas) são as câmaras municipais. Fazer pressão sobre estas para que não os usem será muito importante, tanto mais que já existem vários estudos que demonstram o perigo destes para a saúde pública. (podemos recorrer aos canais oficiais para tal, gabinetes de munícipes, email, carta, ou telefone, sempre que verifiquemos a sua utilização)

É urgente criar um sentimento de bem-estar com todos os tipos de flora, retirar a expressão “erva-daninha” de nosso vocabulário seria um grande passo.
Viver com a natureza, não é ter um campo com relva ladeado de betão.

Viver com a natureza é aprender e aceitar que esta possa viver em nosso redor

Tem todo o direito de existir, afinal de contas, nós dependemos totalmente da sua existência; ar, agua e alimentos não surgem da geração espontânea, eles são a consequência de processos e ciclos apenas possíveis pela força e leis da natureza.

 

Onde podemos aprender mais sobre as abelhas?

Actualmente a associação tem 3 concelhos de intervenção, Sintra, Cascais e Loulé, mas que serão alargados ainda no presente ano.

A associação actualmente possui um programa de sensibilização ambiental repleto de opção, temos as actividades para “escolinhas”, onde levamos as abelhas à escola, esta actividade é realizada nos auditórios escolares, apresenta o maravilhoso mundo das abelhas às crianças, seu ciclo de vida, estrutura social, as espécies, importância para os ecossistemas, principais ameaças e como ajudar.

Realizamos também alguns workshops para família ou grupos, de “construção de hotel para polinizadores”, “propagação de plantas” e temos um curso completo de eco terrorismo, onde ensinamos as nossas crianças a criar as bombas que verdadeiramente precisamos, as “seedbombs” – bombas carregadas de vida (Substrato e sementes) para que possamos dispersar em locais onde sentimos e percebemos a falta das flores.

Para os mais graúdos, temos vários cursos de formação não formal, desde a “Iniciação Apícola”, “um ano apícola”, “Flora Apícola”, ou até de “Sanidade Apícola” para quem quiser iniciar a sua actividade enquanto apicultor.

Basta ficar atento à nossa página de facebook para ir acompanhando as iniciativas conforme vão sendo lançadas.

Texto: MdT | Fotos: O Mundo das Abelhas
Ler é divertido
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